Orando quando o cansaço bate

 Todos nós já fizemos uma oração preciosa e recebemos, em resposta, o que parece uma tempestade de granizo. Ou, se não uma tempestade, talvez o silêncio frio do espaço. Isso nos inquieta. O que isso significa? Como podemos ousar pedir de novo, diante do impacto emocional? Nossos anseios estão seguros com Deus? Podemos receber o "não" do Senhor e ainda assim nos deitar sobre seu peito com mais confiança, ou deveríamos questionar a segurança de seu abraço?

Se ao menos viagens difíceis fossem o pior dos problemas. Talvez o "não" do Senhor se torne ainda mais feroz quando seu filho continua doente, seu casamento se desfaz ou carros colidem. O que acontece quando, depois de anos vivendo de joelhos, o filho pródigo não volta, a doença mental se agrava ou o progresso contra o pecado parece insignificante? Podemos perguntar, como Joni Eareckson Tada: "Quem é esse Deus que eu achava que conhecia? Quem é esse Deus que nos faz rastejar sobre vidro quebrado apenas pelo prazer de sua companhia?" (When God Weeps, p. 78).

Vamos ampliar a visão e respirar fundo. Nossa decepção com Deus pode encolher nosso mundo. Sem perceber, somos como o cavalo de viseira, o cientista colado ao microscópio, o pintor sombreando o nariz de um retrato — tão fixados em uma parte que esquecemos do todo. Assim como fazemos pausas no trabalho para caminhar ao ar livre, precisamos da renovação que vem de uma perspectiva mais ampla.

"Podemos receber o 'não' do Senhor e ainda assim nos deitar sobre seu peito com mais confiança?"

Dar um passo para trás não significa ignorar a dor das orações não respondidas. Ao olharmos além da nossa experiência, não estamos minimizando nosso sofrimento. Estamos dizendo: "Estou me afogando e preciso de uma rocha para me segurar. Esta experiência angustiante é areia movediça. Preciso de um lugar para firmar meus pés."

Felizmente, há milhares de anos, o rei Davi transformou esses mesmos clamores no Salmo 69.

Nenhuma Comparação com a Majestade

Ele começa dizendo: "Salva-me, ó Deus! Porque as águas subiram até o meu pescoço. Aprofundei-me em lama, onde não há lugar para firmar os pés" (Salmo 69:1–2). Os conselheiros aconselham a prestar atenção especial às imagens que as pessoas usam para descrever a si mesmas. Mas não é preciso ser um profissional para perceber que a linguagem de Davi revela profundo desespero.

Davi está consumido pela tristeza. Ele está de coração partido, envergonhado e aflito. Lamenta: "São mais do que os cabelos da minha cabeça os que me odeiam sem motivo" (verso 4). Há um amigo para Davi? Talvez a solidão fosse mais suportável se o Senhor falasse mais cedo. Em vez disso, Davi admite: "Estou cansado de clamar, minha garganta se seca. Meus olhos desfalecem esperando pelo meu Deus" (verso 3).

Mas, conforme lemos, vemos Davi deixar o cubículo para um lugar mais verde. Ele expressa suas dores e queixas — até certo ponto. A honestidade é a prescrição de Deus para a oração, mas se Davi parasse apenas nos seus sentimentos, seria apenas um desabafo amargo. O que muda tudo é quando ele troca o mistério pela majestade.

A majestade de um Deus que nos salva do mar de nossas circunstâncias com sua "fidelidade salvadora" (verso 13). A majestade de um Deus cujo amor não oscila como uma lâmpada cansada, mas brilha com firmeza (verso 16). A majestade de sua misericórdia abundante, transbordando como pratos em um banquete de Ação de Graças (verso 16). Majestade de tal grandeza que seu povo aprisionado revive e canta (verso 32).

Se essa majestade for o peso maior em nosso mundo, cantaremos como Davi no meio do lamaçal (verso 30). Daremos graças mesmo quando nos sentirmos abandonados e pensaremos mais na realidade gloriosa que nos espera do que na decepção presente (verso 35). Quando as circunstâncias gritarem "Deus está ausente", nossas orações refletirão a confiança de que "o Senhor ouve os necessitados" (verso 33).

Jesus Cantou Melhor

Davi ora assim, mas Jesus também. Davi pode ter sentido que seus antigos amigos lhe ofereciam veneno e vinho azedo (Salmo 69:21), mas Jesus de fato tocou seus lábios em uma esponja encharcada de vinagre na cruz (Mateus 27:34). Matthew Henry conecta Cristo ao Salmo 69: "Sua garganta secou, mas seu coração não; seus olhos falharam, mas sua fé não."

Davi canta o Salmo 69 bem, mas Jesus canta melhor. Pois suas palavras ressoaram mesmo enquanto o mundo escurecia, com a fúria do inferno diante dele e um pano embebido de fel em sua boca. Davi sentiu-se afundando, mas Jesus foi sufocado e afogado. Enquanto nós estamos sempre na presença do Senhor (Salmo 73:23), Jesus foi o Cordeiro abandonado aos lobos. Se Jesus confiou em Deus ali, não podemos confiar nele aqui?
Quando os mistérios da vida são colocados no devido lugar pela majestade de Deus, cantamos como Jesus, Davi e todos os santos que descansam "na certeza das coisas que se esperam e na convicção das coisas que não se veem" (Hebreus 11:1).



Redação Papo Jesus

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